Quanto custa semaglutida genérica no Brasil? Tabela completa de preços (2026)

By George Green · 5 de março de 2026 · 7 min read

Bancada de farmácia brasileira com caixas de medicamentos e etiqueta de preço visível, iluminação natural.

A patente da semaglutida venceu no Brasil em 20 de março de 2026. Treze pedidos de registro aguardam análise na Anvisa. A Novo Nordisk já cortou preços duas vezes. E a pergunta que todo mundo quer responder é simples: quanto vai custar?

Abaixo estão os preços atuais de todas as versões de semaglutida disponíveis no Brasil, as estimativas para o genérico, e um cálculo que ninguém costuma fazer: quanto custa cada quilo perdido. Esse número muda a conversa sobre o que vale a pena pagar.


O genérico já existe? (março de 2026)

Resposta curta: ainda não. A patente caiu, mas nenhum genérico de semaglutida chegou às farmácias até o momento. As 13 solicitações na Anvisa estão em "fase final de revisão interna", e as primeiras aprovações devem sair entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.[1]

O que já existe são duas coisas diferentes que muita gente confunde:

Poviztra e Extensior (Eurofarma): semaglutida fabricada pela Novo Nordisk na Dinamarca, distribuída pela Eurofarma no Brasil. Mesmo produto do Ozempic/Wegovy com outro nome. Não é genérico. Explicamos a diferença em detalhe aqui.

Olire e Lirux (EMS): genéricos de liraglutida, não de semaglutida. A liraglutida é outro agonista de GLP-1, com aplicação diária (não semanal) e resultados inferiores. O Olire sai a R$ 307 por caneta.[2]

Quem está na corrida pelo genérico de semaglutida

EmpresaVia de registroStatus
EMSSintéticaPedido na Anvisa. Fábrica de peptídeos pronta em Hortolândia (SP)
HyperaSintéticaPedido na Anvisa. Projeção de lançamento em 2026
Biomm/BioconBiológica (biossimilar)Pedido na Anvisa. Biocon fabrica na Índia
CimedVia parceriaPlanos anunciados
Prati-DonaduzziSintéticaEm desenvolvimento
Avita Care (grupo Eurofarma)SintéticaPedido na Anvisa

A Anvisa informou que pode processar até 3 pedidos sintéticos e 3 biológicos por semestre, com prioridade para semaglutida e liraglutida.[3]


Tabela de preços: toda semaglutida disponível no Brasil em 2026

Todos os preços abaixo são de março de 2026, após as reduções de preço da Novo Nordisk.

Ozempic (Novo Nordisk, indicação: diabetes tipo 2)

DoseE-commerceFarmácia física
0,25/0,5 mg (kit início)R$ 825R$ 925
0,5 mgR$ 963R$ 1.063
1 mgR$ 999R$ 1.099

Wegovy (Novo Nordisk, indicação: obesidade)

DoseE-commerceFarmácia física
0,25 mgR$ 825R$ 925
0,5 mgR$ 963R$ 1.063
1 mgR$ 999R$ 1.099
1,7 mgR$ 1.399R$ 1.499
2,4 mgR$ 1.699R$ 1.799

Para a diferença entre Wegovy e Ozempic (indicações, doses e regulação), veja semaglutida genérica vs Wegovy.

Poviztra (Eurofarma/Novo Nordisk, indicação: obesidade)

DosePreço aproximado
1 mgR$ 841-940
1,7 mgR$ 1.299
2,4 mgR$ 1.538

Rybelsus (Novo Nordisk, semaglutida oral)

DosePreço antigoPreço novo (março 2026)
3 mg, 7 mg ou 14 mg~R$ 1.100R$ 565

A queda de 50% no Rybelsus aconteceu em 3 de março de 2026, 17 dias antes do fim da patente.[4] A Novo Nordisk também passou a oferecer a primeira caneta de Wegovy 0,25 mg grátis na compra de outra dose.

Mounjaro (Eli Lilly, tirzepatida, para comparação)

DoseFaixa de preço
2,5 mgR$ 1.700-2.200
5 mgR$ 2.000-2.500
10 mgR$ 2.600-3.200
15 mgR$ 3.200-3.800

Quanto deve custar o genérico

A Resolução CMED 2/2004 exige que genéricos custem no mínimo 35% menos que o produto de referência.[5] Isso colocaria o teto do genérico de semaglutida em torno de R$ 650 na dose de 1 mg.

Mas genéricos no Brasil costumam custar bem menos que o teto. Segundo dados da Abradilan, o desconto médio dos genéricos no mercado brasileiro em 2025 foi de 69,83% sobre o produto de referência.[6]

CenárioPreço estimado (1 mg/mês)
Desconto mínimo obrigatório (35%)~R$ 650
Desconto médio do mercado (70%)~R$ 300
Estimativa de consenso de mercadoR$ 400-650

A Hypera já sinalizou que genéricos de semaglutida podem ter desconto menor que a média por causa do alto custo de produção e da escassez de canetas injetáveis.[7] As primeiras versões devem ficar mais perto dos R$ 400-650 do que dos R$ 300.


O número que ninguém faz: custo por quilo perdido

Preço mensal é só metade da história. O que importa é quanto você paga por cada quilo que realmente perde. Esse cálculo depende da dose, do tempo de tratamento e dos dados dos ensaios clínicos.

Os dados

No ensaio STEP 1, pacientes com obesidade (peso médio de 105,3 kg) tratados com semaglutida 2,4 mg por 68 semanas perderam em média 15,3 kg.[8]

Nos ensaios SUSTAIN (população com diabetes tipo 2), a dose de 1 mg produziu perda média de 5,6 kg em 56 semanas.[9]

A conta

ProdutoDoseDuraçãoCusto totalPeso perdidoCusto por kg
Ozempic1 mg56 sem (~13 meses)~R$ 12.9875,6 kgR$ 2.319/kg
Wegovy2,4 mg68 sem (~16 meses)~R$ 27.18415,3 kgR$ 1.777/kg
Genérico (est.)1 mg56 sem (~13 meses)~R$ 6.5005,6 kgR$ 1.161/kg
Genérico (est.)~2,4 mg*68 sem (~16 meses)~R$ 10.40015,3 kgR$ 680/kg

* Genérico com dose de 2,4 mg ainda não confirmado.

O genérico, se chegar na dose de 2,4 mg, pode reduzir o custo por quilo perdido de R$ 1.777 para R$ 680. Isso é uma queda de 62%.

Mas tem um problema

No STEP 1, os participantes que pararam a semaglutida após 68 semanas recuperaram em média 11,6 kg no ano seguinte. Dois terços do peso perdido voltou.[10]

Se você paga R$ 27.184 no Wegovy, perde 15,3 kg e recupera 11,6 kg, o resultado líquido é 3,7 kg. O custo real foi R$ 7.347 por quilo mantido.

Para o genérico estimado: R$ 10.400 / 3,7 kg = R$ 2.811 por quilo mantido.

Esses números não são para desanimar. São para mostrar que o medicamento sozinho é uma solução incompleta. O que reduz o reganho é exercício.


O fator que muda a conta: exercício

O estudo S-LiTE, publicado na Lancet eClinicalMedicine, testou exatamente essa pergunta. Depois de uma perda de peso inicial, os participantes foram divididos em quatro grupos e acompanhados por um ano de tratamento seguido de um ano sem tratamento.[11]

GrupoReganho após parar o tratamento
GLP-1 sozinho+9,6 kg
Exercício sozinho+3,6 kg
GLP-1 + exercícioResultado líquido de -3,5 kg

O grupo que usou GLP-1 sem exercício recuperou 6 kg a mais que o grupo que só fez exercício. E o grupo que combinou os dois teve o melhor resultado final.

Traduzindo para dinheiro: se o exercício reduz o reganho de 11,6 kg para algo mais perto de 4-5 kg, o custo efetivo por quilo mantido cai pela metade. O medicamento rende mais quando você se move.

Massa magra

Tem outro lado. Nos ensaios com semaglutida 2,4 mg, 39-45% do peso perdido veio de massa magra (músculo) em participantes que não fizeram exercício estruturado.[12] Perder músculo significa metabolismo mais lento, o que facilita o reganho.

Treino de resistência (musculação) é o que atenua essa perda. Exercício aeróbico ajuda no condicionamento, mas não protege músculo da mesma forma. Para um plano prático por fase de dose, veja dicas de exercício com semaglutida genérica.

Quanto custa se exercitar

ItemCusto mensal
Caminhada ao ar livreR$ 0
App Motion (com amigos)Gratuito
Academia Smart FitR$ 100-130
Academia média no BrasilR$ 111
Ozempic 1 mgR$ 999-1.099
Genérico estimado 1 mgR$ 400-650

Um ano de Smart Fit custa ~R$ 1.200. Um ano de Ozempic custa ~R$ 12.000. E quando você para o medicamento sem hábito de exercício, dois terços do peso volta.


SUS e plano de saúde cobrem?

A Conitec rejeitou a inclusão do Wegovy e do Saxenda no SUS em agosto de 2025. O custo estimado era de R$ 3,4 a 12,6 bilhões em 5 anos.[13] Um programa piloto com 3 hospitais deve começar no primeiro semestre de 2026, mas é limitado e não significa acesso universal.[14]

Planos de saúde privados não são obrigados a cobrir medicamentos de uso domiciliar como a semaglutida injetável. Alguns pacientes conseguem cobertura por decisão judicial quando há comorbidades graves, mas é caso a caso.

Para contexto: o salário mínimo em 2026 é de R$ 1.621 por mês. O Ozempic 1 mg custa entre 62% e 68% de um salário mínimo. Mesmo o genérico estimado a R$ 500 representaria 31% da renda mínima. Para a maioria dos brasileiros, semaglutida é um investimento pesado. Cada quilo que se perde e se mantém importa.


Como proteger o investimento

Se você vai gastar R$ 400, R$ 1.000 ou R$ 1.700 por mês em semaglutida, o que faz esse dinheiro render mais é exercício. Não precisa ser academia. Não precisa ser intenso. Precisa ser consistente.

O Motion foi feito para quem está começando. Ele transforma atividade física em desafios com amigos onde a responsabilidade social substitui a motivação. Os objetivos adaptativos se ajustam ao seu ritmo. Se você está na fase de escalonamento e a náusea complica, o app recalibra em vez de zerar seu progresso. Uma caminhada de 15 minutos no dia ruim conta.

O medicamento tira a fome. O exercício protege o músculo. E ter alguém que vê se você apareceu é o que faz você aparecer.

Para o plano completo de exercícios durante o tratamento, leia os melhores exercícios com semaglutida. Para mulheres acima de 40, esse post tem orientações específicas.

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