
Em março de 2026, a patente da semaglutida vence no Brasil. O Superior Tribunal de Justiça negou por unanimidade o pedido da Novo Nordisk para prolongar a exclusividade. Com fabricantes nacionais como a EMS já com registros protocolados na Anvisa, os genéricos de semaglutida devem chegar às farmácias com reduções de preço de até 35%, derrubando o custo mensal de R$ 800-1.200 para a faixa dos R$ 500-700.
Isso muda tudo. Canetas emagrecedoras que antes eram privilégio de uma fatia pequena da população vão se tornar acessíveis a milhões de brasileiros. É uma mudança real no tratamento da obesidade no país, onde 68% dos adultos vivem com excesso de peso.
Mas há algo que raramente aparece junto com a receita, e que os estudos mostram ser tão central quanto a medicação em si: o exercício de resistência. Sem ele, parte do peso que você perde não é gordura. É músculo.
O que acontece com sua massa muscular durante o tratamento
A semaglutida e a tirzepatida funcionam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento gástrico. Você come menos, perde peso. Os resultados clínicos são impressionantes: os ensaios STEP mostraram perdas médias de 15% do peso corporal com semaglutida, e os estudos com tirzepatida chegam a 20-22%.
O problema está na composição dessa perda.
A análise de composição corporal do estudo STEP 1, publicado no Journal of Internal Medicine, revelou que os participantes tratados com semaglutida perderam 6,9 kg de massa magra, contra 10,4 kg de gordura. Isso significa que cerca de 40% do peso perdido veio da massa magra, não da gordura. Outros estudos mostram variação entre 15% e 40%, dependendo da dieta e do nível de atividade física do paciente.
A ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) emitiu um alerta formal sobre esse risco: o uso de semaglutida sem acompanhamento pode levar a déficit proteico e perda de massa magra. Sem proteína suficiente e sem estímulo muscular, o organismo usa músculo como fonte de energia durante o déficit calórico criado pelo medicamento.
Para quem não treina, a conta é clara: você perde peso, mas perde junto parte da estrutura que sustenta seu corpo, regula seu metabolismo e define sua composição.
Por que isso importa para a estética, não só para a saúde
Aqui vale ser direto.
Quando você perde gordura e mantém o músculo, o resultado é uma composição corporal mais definida, mais firme. Quando você perde gordura e músculo juntos, o resultado pode ser diferente do que você esperava: peso menor na balança, mas corpo com pouca tonicidade, flacidez nos braços e nas pernas, e uma sensação de "fraqueza" que não combina com o objetivo de emagrecer com saúde.
Isso não é opinião. O treinamento de força é o principal estímulo para preservar massa muscular durante uma fase de restrição calórica. A revisão publicada no periódico Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare em 2025 confirma: "o treinamento de resistência, mais do que o exercício aeróbico, atenua a perda de massa magra durante dietas de emagrecimento." A combinação de exercício de resistência com ingestão proteica adequada mostrou, em um estudo prospectivo de 6 meses com 200 adultos em uso de semaglutida ou tirzepatida, que os participantes perderam cerca de 13% do peso total mas apenas 3% da massa muscular. Muito menos do que os estudos que não incluíam musculação.
O objetivo do emagrecimento saudável não é só ver um número menor na balança. É chegar lá com um corpo funcional, forte, e com metabolismo preservado.
O cenário fica mais crítico para mulheres acima dos 40
Mulheres na faixa dos 40 e 50 anos já enfrentam uma pressão natural sobre a massa muscular que começa antes da menopausa.
A partir dos 30 anos, o corpo perde em média 3-8% de massa muscular por década. Com a queda do estrogênio na perimenopausa e menopausa, essa perda se acelera. O estrogênio é essencial para a manutenção do músculo esquelético. Sem ele, aumenta a degradação muscular e diminui a capacidade do organismo de reconstruí-lo. No Brasil, a sarcopenia afeta 20% das mulheres pós-menopáusicas, contra 12% dos homens.
Usar uma caneta emagrecedora nessa fase sem treinar força é sobrepor dois fatores de perda muscular ao mesmo tempo. O déficit calórico criado pelo medicamento se soma ao deficit hormonal já em curso.
A endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), resume bem o ponto: "o medicamento trata a obesidade, mas não aborda as razões por trás do ganho de peso." O músculo perdido durante o tratamento não volta automaticamente quando você para o medicamento. Se você não construiu o hábito de treinar, o peso que retorna tende a ser gordura, não músculo.
Para mulheres 40+, a musculação durante o tratamento não é opcional. É a diferença entre emagrecer e envelhecer bem, ou emagrecer e ficar mais frágil.
O que a ciência recomenda, na prática
As principais entidades de saúde convergem para o mesmo protocolo.
Nos ensaios clínicos com semaglutida, os participantes foram orientados a realizar 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, com progressão gradual até 200 minutos, combinada com pelo menos duas sessões semanais de treino de força. A SBEM posiciona o exercício físico como parte indissociável do tratamento de obesidade, não um complemento opcional.
Quanto à proteína: a recomendação para pessoas em emagrecimento ativo é de 1,2 a 1,6 gramas por quilo de peso corporal por dia. Quem treina com regularidade pode precisar de até 2 g/kg. A lógica é simples: o músculo é feito de proteína. Se você não come o suficiente para reconstruí-lo, e não gera o estímulo mecânico para mantê-lo, ele vai embora.
Não existe uma dose mágica de exercício. O que os estudos mostram é que alguma musculação, feita com consistência, já faz diferença. Duas sessões semanais de 40-50 minutos são suficientes para preservar massa muscular durante o emagrecimento. O nível de intensidade importa menos do que a regularidade.
O Brasil tem uma das melhores infraestruturas do mundo para começar
Aqui o Brasil tem uma vantagem real que pouca gente valoriza.
A Smart Fit encerrou 2025 com 2.084 academias em operação, sendo 984 no Brasil. Em 2025, foram inauguradas 341 novas unidades, o maior crescimento histórico da rede. Com planos a partir de aproximadamente R$ 100 por mês, a Smart Fit democratizou o acesso à musculação de uma forma que poucos países conseguiram. Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, e dezenas de outras cidades, há uma Smart Fit a menos de alguns quilômetros de distância.
Para quem não quer gastar nem isso, existem as academias ao ar livre. O estado de São Paulo tem mais de 1.100 equipamentos de academia instalados em praças e parques públicos, distribuídos por 300 municípios. Minas Gerais tem mais de 500 unidades em todo o estado. São estruturas com aparelhos de resistência, simuladores de força e equipamentos para treino de corpo inteiro, gratuitos, sem necessidade de matrícula.
A barreira financeira para começar a fazer musculação no Brasil é baixa. Mais baixa do que em quase qualquer outro lugar do mundo.
O que costuma travar as pessoas não é o acesso. É a motivação para começar, e a constância para continuar.
O verdadeiro desafio não é a academia, é aparecer
Saber que você deveria treinar é diferente de realmente ir.
Quem começa um tratamento com canetas emagrecedoras costuma passar pelas primeiras semanas lidando com náuseas, cansaço, e uma redução drástica no apetite. A energia pode estar baixa. Montar uma rotina de musculação nesse momento parece exigir muito. E quando a motivação já é difícil em condições normais, qualquer obstáculo a mais vira desculpa para adiar.
A pesquisa sobre formação de hábitos é clara: o problema não é falta de força de vontade. É que comportamentos novos precisam de repetição consistente por semanas e meses antes de se tornarem automáticos. Uma revisão sistemática publicada na revista Healthcare em 2024, com mais de 2.600 participantes, mostrou que hábitos de saúde levam tipicamente de 2 a 5 meses para se consolidar. Hábitos de exercício ficam na ponta mais longa desse intervalo.
Três coisas aparecem repetidamente na literatura quando o assunto é acelerar esse processo: prazer (quanto mais você gosta, mais rápido vira hábito), responsabilidade social (saber que alguém está acompanhando), e metas adaptáveis (que não te punem por semanas ruins).
Aplicativos com gamificação e comunidade ajudam exatamente porque atuam nesses três pontos ao mesmo tempo.
Como o Motion ajuda durante esse processo
O Motion foi criado para o problema específico de quem sabe que precisa se mover, mas tem dificuldade com a constância.
As metas adaptáveis do Motion analisam seu histórico de atividade das últimas 12 semanas e ajustam seus objetivos semanais automaticamente. Se você está nos primeiros dias do tratamento e está se sentindo cansado, sua meta reflete isso. Você não é penalizado por uma semana mais difícil, e sua meta não fica artificialmente alta depois de uma semana boa.
Os desafios entre amigos funcionam por esforço relativo, não por volume absoluto. Alguém que faz duas sessões de musculação por semana compete em igualdade de condições com alguém que treina cinco vezes. O que conta é o percentual da sua meta pessoal que você atingiu. Isso cria um tipo de responsabilidade social que a pesquisa aponta como um dos fatores mais duradouros de adesão ao exercício.
O bichinho virtual Motmot cresce quando você se move e fica preocupado quando você para. Parece simples, mas a motivação emocional funciona: o cuidado com algo que responde às suas ações ativa o mesmo sistema de recompensa que torna jogos cativantes.
Quem começa a musculação junto com o tratamento encontra no Motion uma estrutura que acompanha a jornada sem exigir perfeição.
Comece antes de precisar
O melhor momento para construir o hábito de musculação é antes de precisar dele. O segundo melhor momento é agora.
Com a chegada dos genéricos de semaglutida, a conversa sobre canetas emagrecedoras vai sair dos consultórios particulares e chegar para uma parcela muito maior da população brasileira. Quem entrar nesse tratamento sabendo que a musculação é parte indispensável, não um bônus, vai ter resultados muito diferentes de quem usa o medicamento sozinho.
Emagrecer bem é perder gordura e manter o músculo. No Brasil, nunca foi tão fácil ter acesso a uma academia. O que falta, quase sempre, é começar.
Sources
- Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity (STEP 1). New England Journal of Medicine. 2021;384:989-1002. doi:10.1056/NEJMoa2032183
- Blundell J, Finlayson G, Axelsen M, et al. Effects of once-weekly semaglutide on appetite, body composition and clinical measures in adults with overweight or obesity. Journal of Internal Medicine. 2017. PMC8089287
- Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare. GLP-1 agonists and exercise: the future of lifestyle prioritization. 2025. PMC12683586
- Neeland IJ, et al. Changes in lean body mass with glucagon-like peptide-1-based therapies and mitigation strategies. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2024. doi:10.1111/dom.15728
- ABRAN. Uso de Ozempic pode levar a Déficit Nutricional e Proteico, além de Perda de Massa Magra. Associação Brasileira de Nutrologia. 2023
- Singh B, Murphy A, Maher C, Smith AE. Time to Form a Habit: A Systematic Review and Meta-Analysis. Healthcare. 2024;12(23):2488. doi:10.3390/healthcare12232488
- Smart Fit. Relatório de Expansão 2025: Smart Fit encerra 2025 com recorde histórico de expansão e ultrapassa 2 mil academias. Portal do Franchising, 2026
- O Seringal. Corrida pela Semaglutida: Fim de patente promete baratear canetas emagrecedoras em até 35% no Brasil. Fevereiro 2026